Não existe delícia maior para um bom glutão que apreciar belíssimas orgias alimentares. Essa semana tem sido bem especial para a memória do meu paladar no mesmo momento em que também pude rememorar figuras femininas de Fellini, quase sempre voluptuosas ao extremo. Mas não me veio Fellini a mente e sim, uma obra clássica do "cinema glutão": em português "A Comilança" (La grande Bouffe, 1973)produção franco-italiana dirigida por Marco Ferreri.
De repente essa lembrança é pela fase em que algumas questões me tocam: a comida e o suicídio, assunto que o grande Camus trata com maestria. Tudo isso com muito sexo - que é bom e (quase) todo mundo gosta - em um tom grotesco que faz falta na nossa sociedade falsamente polida, educada, feliz e magra, em que a busca de sentido das coisas não condiz com o relógio, o espelho e os impulsos. Em que o retrato de mulheres gordas que tem momentos de felicidade com de uma coxa de galinha na boca e uma mão masculina entre suas pernas não ofende, faz rir. Coisa que só os italianos fazem por nós. Os glutões agradecem.
Boa comilança!